Por que os ERPs NÃO calculam a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO?

A discussão é longa e dificilmente trazida à tona pelas fabricantes de ERP.

Já os profissionais de Controladoria e Finanças (custeio absorção industrial), convivem com essa situação há anos.

Mas ninguém de fato ataca o problema:

Como obter a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO se os ERPs não separam (nativamente) o custo médio dos estoques entre fixo e variável?

Antes de mais nada, precisamos separar os ERPs nacionais (TOTVS, SENIOR, SANKHYA, ETC) dos ERPs globais (SAP, ORACLE, DYNAMICS, ETC).

No caso específico do SAP, tido por muitos como “o melhor sistema integrado do planeta”, é até possível medir a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO, desde que, ao ativar o Ledger de Materiais, sejam configurados os elementos de custo.

Fazendo isso, o software alemão passa a “rolar os estoques” separadamente entre fixo e variável, de tal forma que a equação Saldo Final = Saldo Inicial + Entradas – Saídas é armazenada não apenas por produto, mas também por “elementos de custo” (ou “naturezas de gasto” – para utilizar a linguagem de outros ERPs).

Este “elemento de custo” por sua vez, pode ser segregado – a critério de cada empresa – entre fixo e variável, tal qual evidenciado no print da transação CKM3, abaixo:

CKM3

Figura 1 – Print Transação CKM3 SAP Versão R/3

Já no caso dos ERPs nacionais de Middle Market (PROTHEUS, RM, DATASUL, SAPIENS, etc) não existe essa segregação, deixando evidente que a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO, embora de suma importância, perdeu espaço na tropicalização dos sistemas de gestão.

Assim, buscando alternativas para solução do problema, enumeramos abaixo os 3 principais motivos que levam os ERPs a NÃO calcularem a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO.


Por que os ERPs NÃO calculam a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO?

MOTIVO 01: O foco do ERP é a contabilidade societária-fiscal (e não gerencial)

Muito embora desde o início da divulgação dos primeiros CPCs (em 2008) tenha havido uma aproximação da tríade societário-fiscal-gerencial, notoriamente, os ERPs de fabricação nacional ainda atendem primeiro aos aspectos fiscais, deixando as necessidades gerenciais em segundo plano.

Sobre a ótica fiscal, conforme Regulamento do Imposto de Renda (RIR 1999, Subseção IV, Artigo 294), a RFB reconhece tacitamente os rateios do custeio absorção para valoração dos estoques.

Neste contexto, a contabilidade societária também vê com bons olhos o custeio absorção, onde, protegendo o lucro dos sócios, trata-se o custo fixo como um “Ativo Diferido” (reconhecendo-o em resultado proporcionalmente à venda).

Sem dúvida, esta harmonia entre contabilidade fiscal e societária é o principal motivo que os sistemas integrados “rolam” o custo médio dos estoques “apenas” com um custo unitário total, o que pode observado nos seguintes ERPs:

  • SENIOR GESTÃO EMPRESARIAL (ex Sapiens): A movimentação de estoques armazenada na tabela E210MVP tem apenas um custo médio total por produto (campo PRMEST), sem separar o custo fixo do custo variável.
  • TOTVS RM (ex RM Corpore): O custo médio da Ficha Física Financeira (tabela TRELSLD, campo CUSTOMEDMOV) é por item, por filial e ou por depósito, sem abertura por natureza de custo.
  • TOTVS PROTHEUS (ex Microsiga): Conforme evidenciado na tabela SB2 – Campo CM1 ou mesmo o relatório “Kardex”, é possível observar NÃO há estratificação entre fixo e variável.

Satisfeitas as necessidades societárias e fiscais, sobre a ótica gerencial, no entanto, os sistemas acima NÃO atendem uma necessidade básica: MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO.

Citada pela primeira vez na teoria economia neoclássica, o conceito de CONTRIBUIÇÃO MARGINAL aplicado no dia a dia das empresas, é vital para:

  • eliminar qualquer erro de rateio do custo absorção;
  • analisar o lucro sem o efeito da ociosidade fabril;
  • avaliar o ponto de equilíbrio da empresa (seja em quantidade produzida ou em horas/dias trabalhados):
Imagem 01
  • mensurar a CONTRIBUIÇÃO efetiva do item, determinando qual produto/cliente deve ser cortado (ou priorizado) na linha de produção (afinal, mesmo com MARGEM BRUTA negativa, “qualquer R$ 1,00 (um real) de CONTRIBUIÇÃO positiva ajuda a pagar o custo fixo”).

Fica, portanto, instaurado um trade off:

Se por um lado a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO é fundamental para a gestão da empresa (contabilidade gerencial), mas, por outro, não agrega valor à contabilidade societária-fiscal, como exigir que um único sistema de gestão integrado ERP atenda aos dois interesses?

Apontamos abaixo três possíveis soluções para cálculo da MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO nos ERPs:

  • Solução 01: Abandonar o custeio absorção e utilizar o custeio variável

Embora seja tecnologicamente viável, em virtude de imposições fiscais pela RFB e consequente, conservadorismo dos profissionais contábeis, o custeio variável é impensável no “BRGAP”.

Mas nas empresas “USGAP” e “IFRS”, no entanto, é comum fundir os interesses fiscais, gerenciais e societários, e “rolar” o estoque do ERP à custo padrão (reconhecendo qualquer oscilação padrão-real como despesa do período).

Ou ainda, abandonar o custeio absorção e implantar o custeio variável como método de custos, “rolando” o estoque do sistema integrado somente com o custo variável e reconhecendo, assim, todo o custo fixo como despesa no momento do gasto. (afinal, se o custo é fixo, ele é um gasto do mês corrente, quer haja produção ou não);

Solução 02: Customizar o ERP

Manter a contabilidade gerencial dissonante da contabilidade fiscal-societária, customizando o ERP para atender às duas demandas simultaneamente.

Para tanto, é necessário manter a tabela de custo médio nativa (para fins societários), e criar outra tabela personalizada, com o “SPLIT” do custo médio entre fixo e variável (para fins gerenciais).

Apesar de aparentemente ser a melhor alternativa, deve-se lembrar que o cálculo dos estoques em sistemas ERPs é, por si só, um processamento moroso, que chega a demorar 8 a 12 horas em algumas empresas. Assim, dependendo do mix de produtos e da configuração do ERP, processar o custo médio explodido em “N” elementos de custo (naturezas de gasto) pode ser tecnicamente e comercialmente, inviável.

Solução 03: Contratar o serviço especializado no modelo SaaS

Sem interferir na contabilidade societária-fiscal, somente com uma camada de NEGÓCIOS paralela ao ERP, é possível fazer o Split do custo médio entre fixo e variável, obtendo em tempo real a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO por produto, por cliente, por região de vendas, etc.

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Por que os ERPs NÃO calculam a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO?

MOTIVO 02: Mesmo sabendo que o “diabo mora nos detalhes, o molho não pode nunca ser mais caro que o peixe”

Dilema muito comum na área de Tecnologia da Informação, o custo de obter uma informação não pode ser mais caro do que seu benefício, principalmente, financeiro.

A medição da MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO ANALÍTICA, por produto, por cliente, por nota fiscal, etc não é tarefa simples, e justamente por isso, o mercado não paga o preço para obter a informação. Como consequência; as empresas de ERP não investem!

A “batata quente” estoura então na mão dos profissionais de Controladoria e Finanças que calculam a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO em planilhas, generalizando fórmulas e simplificando processos.

Neste cenário, uma empresa com 300 SKUs, acaba tendo a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO calculada por grupo, agrupados em 10 ou 20 famílias de produtos, por exemplo.

Ao fazer isso, a área de finanças satisfaz o ego de diretores e presidentes – apresentando um número nas reuniões de avaliação de desempenho. Mas, por outro lado, não ajudam a empresa a alavancar os resultados. Afinal, como diz o ditado alemão: o diabo mora nos detalhes.

Sem conhecer a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO por produto, como inferir o cliente, a região de vendas mais rentável para a empresa? Como fica a (difícil) decisão de priorizar a entrega de determinado pedido de venda em detrimento a outro?

Sem dúvida, para responder essas e outras questões, a contratação de empresas especializadas é a melhor alternativa. Somente soluções de BIG DATA, com velocidade de processamento, conseguem entregar a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO ANALÍTICA por produto.

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Por que os ERPs NÃO calculam a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO?

MOTIVO 03: Cultura empresarial

Se por um lado já temos tecnologia (com um custo acessível), por outro, esbarramos na completa ingerência de algumas empresas que simplesmente ignoram a existência (e a importância) da MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO.

Nestes casos, só há uma alternativa: agregar ao software toda uma metodologia e know how técnico com consultores capacitados, que entendem as dores de cada ERP, analisando os números e indicando o melhor caminho.

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