Regime de Compras ou Regime de Competência?

Com certeza você já ouviu falar em regime de competência e regime de caixa. São dois conceitos consolidados e largamente utilizados por empresas de qualquer porte.

Porém, você ainda não deve ter ouvido falar em “Regime de Entrada” (ou “Regime de Compras”), correto?

O post de hoje aborda justamente este conceito de “Regime de Entrada”, discutindo claramente a sua função e utilização no ambiente empresarial.

Um abraço e boa leitura!

Lucas


Imagine dois cenários:

Cenário 1: Uma indústria, onde o processo orçamentário inicia-se estimando as vendas do próximo ano e, em seguida, dimensionando mão de obra, equipamentos, insumos, matérias primas para atender à demanda.

Cenário 2: Uma prestadora de serviços, com um cronograma de atividades e os recursos necessários para cumprir as entregas ao longo do projeto.

É fácil perceber que, em ambos os casos, o fluxo orçamentário está atrelado à venda (fato gerador) – característica intrínseca ao regime de competência.

Ou seja, o início de todo e qualquer planejamento empresarial é o regime de competência, o qual estabelece uma ligação natural entre despesa e receita, para em seguida projetar o regime de compras e caixa.

Exemplificando, veja a figura abaixo:

Figura 1 – Exemplificação dos Regimes

  • PRAZO MÉDIO DE PRODUÇÃO: para vender (ou entregar) no mês de “M” (Março) é necessário produzir no mês “M-1” (Fevereiro)
  • PRAZO MÉDIO DE ENTREGA: para produzir no mês “M-1” (Fevereiro) é necessário comprar um mês antes, ou seja, “M-2” (Janeiro)
  • PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO: por fim, se o pagamento, por exemplo, 120 dias após a compra têm-se então, “M-2+3” (Abril)

Conclui-se então que, somente após criar o orçamento no regime de competência, torna-se possível projetar os outros dois cenários: regime de compras e regime de caixa.

Mas em um ambiente de constantes mudanças, será que é possível (e necessário) controlar o orçamento em três regimes diferentes?

A resposta para essa pergunta é simples: se a intenção da empresa é justificar fatos ocorridos, corrigindo a rota futura baseado nas informações do passado, os relatórios no regime de Competência e Caixa são suficientes.

Agora, se a proposta é efetivamente “prevenir” e criar “travas orçamentárias” para impedir que o orçamento estoure, então não há alternativa: é necessário projetar o Regime de Compras.

10 em cada 10 empresas querem criar travas orçamentárias!

Veja este exemplo: A previsão de janeiro é gastar R$ 10.000, mas a empresa já “empenhou” (através de solicitações, pedidos, ordens de compra, notas fiscais, etc) um total de R$ 9.900.

Você concorda que somente o regime de compras é capaz de travar o próximo gasto antes que estoure o orçamento?

Afinal, (i) travar o orçamento pelo regime de caixa é tornar a empresa inadimplente (haja vista que o compromisso de pagamento já foi assumido), e, (ii) travar o orçamento pelo regime de competência é contraproducente, pois, no exemplo acima, até existe a verba disponivel, porém ela só foi prevista – no regime de competência – em março (mas você precisa utilizar a verba em janeiro – pelo regime de compras!).

Conclui-se que, se a intenção da empresa é criar travas orçamentárias, então não há outra alternativa: projetar o orçamento pelos 3 Regimes: Competência, Caixa e Compras.

Se você quer saber como implantar os 3 regimes orçamentários na sua empresa, então não perca o próximo post…

Um abraço

Lucas Martins da Costa Moreira

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